Curitiba, 16 de junho de 2026

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São Miguel Notícias

E.M. São Miguel - EF

Entrevista com moradora do bairro Fazendinha

MORADORA A 40 ANOS NO BAIRRO FAZENDINHA CONTA SUA HISTÓRIA E SUA VIDA EM ENTREVISTA A NETA

 

 

Vinda de Pirapó se estabeleceu no bairro e construiu família

 

POR AMANDA TABORDA - 16/03/2026

IMAGENS – João Cabral (imagens otimizadas por IA)

 

Amanda: Oi, boa noite. Tudo bem?

Zica: Tudo ótimo.

 

Amanda: Vou fazer algumas perguntinhas, tá bom? Qual era a sua cidade de origem?

Zica: Eu nasci em Pirapó, fui morar em Brasilândia.

 

Amanda: Como a senhora veio parar aqui no bairro Fazendinha?

Zica: Vixe, aqui no bairro tem uma história longa. Eu vim pra Curitiba, fui morar na vila Nossa Senhora da Luz. Da Nossa Senhora da Luz, mudamos pra Vila Estrela. Da Vila Estrela me casei e vim morar aqui o Fazendinha.

 

Amanda: Como foi viver no bairro naquela época?

Zica: Difícil. Não tinha água, não tinha luz, não tinha esgoto, não tinha rua, não tinha asfalto, não tinha nada.

 

Amanda: Como eram as ruas naquela época?

Zica: Pura lama. Não era rua, era lama. Nossa. Tinha que andar com a sacola no pé pra não sujar o sapato.

Amanda: Tinha muitas casas ou era mais vazio?

Zica: Bem vazio.

 

Amanda: Tipo, não tinha muitas casas?

Zica: Não, bem pouquinho.

 

Amanda: Tinha alguma pessoa marcante que morava aqui naquela época? Ou que ainda mora? Alguma pessoa querida, importante?

Zica: Tinha. A Rosa Maria Donizete, é minha amiga até hoje.

 

Amanda: Sério? Como vocês se conheceram?

Zica: Eu vim morar perto dela.

 

Amanda: Entendi. Como as pessoas se deslocavam naquela época?

Zica: A pé, até o terminal. Tinha que ir até o terminal pra lá pegar ônibus. Não passava ônibus aqui perto.

 

Amanda: Era difícil? E tinha carro?

Zica: Eu não tinha carro. Aliás, poucas pessoas tinham.

 

Amanda: Mas tinha bicicleta?

Zica: Tinha bicicleta.

 

Amanda: Como era a escola do bairro?

Zica: A escola era integral. Adriano Robine.

 

Amanda: Você já estudou lá?

Zica: Eu não. Minha filha estudou lá.

Amanda: A mãe?

Zica: Sim

Amanda: Existiam comércios?

Zica: Perto não. Tinha comércio, mas tudo longe.

 

Amanda: Comércio de que, por exemplo?

Zica: Tinha tudo. Mercado, farmácia.

 

Amanda: Eram aquelas lojas grandes como hoje ou eram aquelas lojas pequenas?

Zica: Tinha as grandes e as pequenas.

 

Amanda: Quais mudanças mais marcaram a senhora no bairro?

Zica: As mudanças que teve no bairro foi que a prefeitura legalizou nossa casa, nosso terreno, asfaltaram a rua, fizeram a ponte da Vereador Elias Karam, que não tinha. Abriram a rua, colocaram o asfalto. Ficou tudo melhor. Aí depois veio o esgoto, aí veio água pra nós, veio luz.

 

Amanda: O que a senhora sente quando vê o bairro de hoje?

Zica: Ah, hoje tá bem melhor. Nossa, não tem nem comparação.

 

Amanda: Você se casou com o vô aqui? Conta essa história de como foi que você conheceu ele daqui pra cá.

Amanda: Ah. Conta um pouco de histórias.

Zica: Não tem história.

 

Amanda: Tipo, de histórias como antes de você vir pro bairro. Como que era. Lá onde você morava.

Zica: Minha filha, minha vida é trabalhar e ir pro serviço e do serviço pra casa. Não tem história.

 

Amanda: Onde que era mesmo o bairro que você morava?

Zica: Vila Estrela.

 

Amanda: E como que era lá? Era ruim?.

Zica: Vila Estrela nunca mudou muito.

 

Amanda: Por que você se mudou? Por que você teve essa opinião de se mudar pra cá?

Zica: Porque eu me casei. Meu marido veio pra cá e eu vim junto.

 

Amanda: Vocês que construíram essa casa?

Zica: Foi. Eu e ele.

 

Amanda: Naquela época, tipo, o parque que tem aqui, o parque Cambuí, como que era antigamente?

Zica: Mato, mato, mato, mato e mato.

 

Amanda: Só mato? Não tinha nada.

Zica: O mato vinha até na minha porta.

 

Amanda: E alagava muito essa cidade?

Zica: Alagava. A água vinha até a janela da nossa casa. Cada vez que dava enchente, a água vinha até a janela.

 

Amanda: Complicado.

Zica: Bota complicado nisso. Você já pensou, já imaginou uma casa que você está lá sossegada, tranquila, quando você vê a água tá entrando, invadindo tudo, vindo até perto da janela? Você tem que sair com a água acima da tua cintura.

 

Amanda: Nossa.

Zica: E não foi uma, nem duas, nem três vezes.

 

Amanda: Era diariamente? 

Zica: Toda vez que dava chuvarada, dava enchente aqui.

 

Amanda: E o bairro? Foi o prefeito que arrumou as ruas ou não?

Zica: Nós reclamávamos direto. Até que eles arrumaram. Arrumaram, né? Aí depois que eles arrumaram, asfaltaram, fizeram os esgoto, arrumaram tudo. Fizeram o Parque Cambuí, foram abrindo, fizeram aquele lago lá no meio do parque, aí parou de inundar aqui.

 

Amanda: Ah. E como que era a eletricidade naquela época?

Zica: Um bom tempo nós não tínhamos luz, depois que veio.

Amanda: Ah, entendi. Tem mais alguma coisa que você queria nos contar?

Zica: Não.

 

Amanda: Tem certeza?

Zica: Hoje tô bem, aposentada, tranquila, não quero mais trabalhar.

 

Amanda: Mas teve bastante mudanças de lá pra cá, né?

Zica: Muitas. Muitas mudanças.

 

Amanda: Mais alguma coisa que você queira comentar?

Zica: Não. É isso então.

 

Amanda: Qual é o seu nome completo?

Zica: Juraci Rosa dos Santos.

OBS: As fotos que compõe esta entrevista foram otimizadas através de IA, em atividades realizadas na UEI São Miguel.

Autor: D. P.
Idade: 13 anos
Postado em: 31/12/1969
Fonte: E.M. São Miguel - EF

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